Está cada vez mais caro ser um pecador
Antes do Vaticano anunciar sete novos pecados mortais, pecar era, acima de tudo, uma atitude democrática, acesssível a todos. Com um salário minimo ou um bilhão na conta bancária, sendo preto, branco, chinês, mongol ou piauiense, pecar era moleza, não havia qualquer discriminação na fila do inferno. Irados, invejosos, orgulhosos, gulosos, preguiçosos, avaros e quem não perdia uma suruba tinha passagem sem escalas. Agora é uma complicação danada.
Os sete novos pecados são os seguintes:
- poluição
- manipulação genética
- acúmulo excessivo de riquezas
- causar pobreza
- tráfico e consumo de drogas
- experimentos moralmente duvidosos
- violação dos direitos fundamentais da natureza humana
Se você prestar bem atenção, tirando tráfico e consumo de drogas, são todos pecados da classe média para cima. É tudo coisa de gente com posses.
Como é que eu vou fazer experimentos moralmente duvidosos, manipulação genética, ser agente poluidor e, assim como quem não quer nada, causar miséria e violar direitos da natureza humana sem pelo menos um laboratório equipado com um raio zorg ou transmorficador de US$ 1 bilhão? Quem ganha salário mínimo jamais poderá construir uma estrela da morte ou engendrar in vitro o vírus final - é preciso alta tecnologia para isso, minha gente.
Esses sete novos pecados representam o que há de mais discriminador na história da Igreja Católica desde que ela decidiu que morrer de Aids é mais legal que usar um pedaço de plástico nos genitais, é uma medida marginalizante que permitirá a entrada no inferno apenas para figurões como Doctor Evil, o Satânico Dr. No ou o Macaco Loco.
Peço revisão, ou assim o inferno fica mais divertido a cada dia.
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photo créditos: Night Star Romanus
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