Os bons companheiros
À evidência de que as Farc na Colômbia são terroristas (a ONU define assim os que utilizam a violência contra civis para fins políticos e militares), e diante da constatação irrefutável que as mesmas são parceiras de grupos de esquerda na América Latina, muitos analislistas, articulistas, cronistas e intelectuais procuram agora disfarçar essas verdades trabalhando dois argumentos principais:
1 - As Farc eram um grupo revolucionário de inspiração marxista que lutavam contra o governo colombiano por não aceitar a ingerência do imperialismo dos EUA. Nessa condição, os rebeldes contavam com a simpatia dos principais líderes da esquerda no continente, a começar por Fidel Castro, Hugo Chávez e Lula da Silva. A prova disso são as atas do Foro de São Paulo, em especial, a que registra o seu décimo encontro, ocorrido em Cuba, no seu íten quinto: O Foro de SP resolve apoiar e encorajar os processos de diálogos desenvolvidos pelas FARC – Exército do Povo (para ler a íntegra, clique aqui);
2 - Que por combater um inimigo mais poderoso, as Farc cederam a tentação de buscar financiamento oferecendo proteção ao narcotráfico, desviando-se assim de seu ideal angelical. Os antigos companheiros, descobrindo somente agora que as Farc sequestram, torturam e matam civis, é que os partidos e organizações de esquerda do Foro de SP, entre os quais PT e PCdoB, passaram a espalhar que a narcoguerrilha não pode mais participar de seus encontros.
A intenção desses formadores de opinião, nesse caso, é separar a ação puramente criminosa da atividade ideológica. A mensagem a ser passada é a seguinte: as Farc eram de esquerda até que resolveram transgredir as leis e a decência humana. Trata-se de uma falsidade conceitual, pois essas premissas - ideologia esquerdista e crimes - não são, de maneira alguma, auto-excludentes. Nenhuma outra doutrina política na história da humanidade soube se valer tanto do crime e da violência quanto o comunismo.
Não é preciso ir longe para verificar que essa nova postura em relação as Farc não passa de um recuo tático para gerenciar danos de imagem. O recente episódio do resgate da ex-senadora Ingrid Betancourt mereceu do Itamaraty apenas uma nota de solidariedade aos reféns libertados. Nenhuma palavra de congratulação ao governo colombiano foi dita. Nenhuma crítica aos seqüestradoresfoi feita. No mundo da diplomacia o silêncio pode ser mais eloqüentes do que as palavras.







