Archive for the ‘Liberdade’ Category

“A verdade nos liberta”

Segunda-feira, Julho 28th, 2008

Não me recordo quem disse esta frase. O que interessa aqui é o perdão mais profundo que ela traz. Não estou dizendo das mentirinhas e pequenas omissões do cotidiano, mas sim daquele passado obscuro de um povo que merece saber de sua história.

Vi um filme que me fez refletir (e por isso escrevo) sobre a anistia. A “Sombra do Passado” se passa na África do Sul no ano de 2000 quando a Comissão de Verdade e Conciliação ouvia os pedidos de anistia daqueles que prenderam, torturaram e assassinaram muitos negros do país, grande parcela da sociedade sul-africana para quem a lei não era imparcial. A anistia só era concedida se o réu contava honestamente a verdade sobre o caso que estava sendo ouvido.

A verdade liberta porque ela permite que saibamos de nossa história e que o passado não permaneça trancado, por mais que cause dor. Por outro lado, deixa livre o torturador e assassino.

Diferente do nosso caso em relação à anistia concedida aos militares e policiais durante a Ditadura Militar, nossa história permanece com buracos ainda não revelados que precisam ser preenchidos. Os arquivos da Ditadura, aqueles que ainda não foram queimados, precisam ser devolvidos à história. Um povo que não sabe de seu passado, não tem história.

Sinto que não somos livres, porque não temos clareza do nosso passado. O Brasil não tem um povo esclarecido por muitas outras razões. E o fato de ter seu passado lacrado também é uma delas.

Recomendo que assistam o filme e que reflitam sobra a anistia no Brasil, pois se a verdade deve libertar, por enquanto, só é real aos que dominaram o povo por um longo tempo. A nós, os outros, resta saber que é hora de lutar pelo direito de saber.

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Enquanto isso, na Sala de Justiça

Domingo, Julho 6th, 2008

Enquanto a blogosférica brasileira se depara com mais uma guerra épica (resumo) entre a feia e boba mídia tradicional - isso, claro, se o Bluebus for realmente mídia tradicional, o que não faz o menor sentido - e os fenomenais, audaciosos, lindos e incrivelmente originais blogs tupiniquins, algo de gente grande realmente acontece na internet.

Eduardo “Vader” Azeredo Contra-Ataca

O deputado federal pelo PSDB de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, não é lá o que se pode chamar de uma figura popular nos círculos que defendem a liberdade na internet. Criador do Projeto de Lei Substitutivo ao PL da Câmara nº 89, de 2003, e Projetos de Lei do Senado nº 137, de 2000, e nº 76, de 2000 (já escrevi sobre ele aqui), o deputado defende a criminalização do acesso, exige comportamento de polícia aos provedores, inviabiliza o compartilhamento de arquivos e joga por terra a privacidade dos usuários de internet no país.

A lógica do deputado na verdade é um clássico do pensamento legislativo brasileiro: “não temos como controlar, vamos proibir”, ou, em outra versão, “não temos como controlar, então são todos, a priori, culpados”.

O PL já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, recebeu emendas até a última quinta-feira, 3 de julho, e agora espera a ordem do dia sob regime de urgência, ou seja, em breve você terá uma internet digna de muita República Democrática pertinho de você. Ou, você pode, pelo menos, torrar algumas paciências enviando mensagens para todos os senadores, eis os emails.

A Fabuloso Caso Viacom vs. Youtube

No dia 2 de Julho, o juiz Louis Stanton determinou que o Google deverá entregar à Viacom, como parte de um processo que chega a US$ 1 bi, os registros dos usuários do Youtube incluindo logins e números de IP, em uma ação sem precedentes no mundo livre contra a privacidade dos internautas. Em resumo, a Viacom ficará por dentro de todos os hábitos de audiência e produção no site de vídeos, além de ter em mãos material farto para possíveis novas ações contra o Google e seus usuários. São 4 tera-bytes de dados, que segundo alguns, deveriam ser enviados à Viacom em calhamaços de papel, como um ato de desobediência civil.

Há um provérbio chinês que diz “quando muito a Oriente, já é Ocidente”. É perfeito para representar os tipos de censura na internet. De um lado as ditaduras e autoritarismos de governo e de pensamento, a exemplo dos vindos da China ou do Brasil, este muito bem representado pelos inúmeros Eduardos Azeredos que povoam nossos mecanismos de controle, de outro, no que supomos mundo livre, os interesses corporativos, que em certa medida, também não deixam de ter seus fortes mecanismos de controle e manutenção de estruturas. São tempos interessantes os que vivemos, e enquanto alguns pensam que a internet veio apenas para proporcionar Adsense nos bolsos, as transformações serão bem mais complexas.

Há, agora sim, uma guerra épica não tão silenciosa na web mais complexa que esse simples embate de egos entre blogs e tradicionais, que serve para gerar ruído e não debate sobre o que queremos de liberdade nas nossas vidas digitais. Ou isso vai à berlinda dos que têm poder de causar mobilização e discussão, ou em breve apostaremos em quem será o último a sair e apagar a luz da web como a conhecemos.

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Padre Abib e nosso pé na censura

Quarta-feira, Maio 21st, 2008

Censorship Causes BlindnessQuando o Padre Jonas Abib escreveu o seu “Sim, Sim! Não, Não! Reflexões de Cura e Libertação” em que prega apenas e somente o defendido pela Igreja Católica há séculos (que ela e apenas ela é a salvação e a crença em seu dogma), certamente não imaginou que seria o estopim para um dos melhores debates sobre liberdade de expressão do ano, até agora.

A justiça baiana determinou, no dia 17, o recolhimento do livro por, resumindo, não ter uma visão lá muito positiva sobre outras religiões. O que, de resto, o catolicismo nunca teve mesmo. O caso está rendendo uma boa conversa em três posts do blog Censura Não!:

Atenção particular para os comentários, interessantes pelo que alguns têm de incorentes como aqueles que defendem a tolerância e a proibição do livro, na mesma linha do texto.

A quem interessar, neste caso, estou com o Padre, ele tem todo direito de pensar e escrever o que bem entender, inclusive as bobagens dogmáticas da Igreja.



Creative Commons License photo credit: Andréia

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